O Tocantins deve receber ainda esta semana o primeiro lote da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), totalizando 6.180 doses, conforme distribuição anunciada pelo Ministério da Saúde. Ao todo, a pasta enviará 673 mil doses para todo o país, dando início à estratégia nacional de imunização voltada à proteção de bebês com menos de seis meses — público mais vulnerável às complicações respiratórias causadas pelo vírus.
A nova vacina passa a integrar o Calendário Nacional de Vacinação da Gestante e será ofertada a partir da 28ª semana de gestação, com o objetivo de proteger recém-nascidos nos primeiros meses de vida — período em que o risco de complicações por VSR é maior. A meta do governo federal é vacinar ao menos 80% do público-alvo.
Para 2025, o Ministério da Saúde adquiriu 1,8 milhão de doses, investimento de R$ 1,17 bilhão, e planeja ampliar a oferta até 2027, com a compra de 4,2 milhões de unidades adicionais. A disponibilização no SUS será possível graças a um acordo firmado entre o Instituto Butantan e o laboratório fabricante, que prevê transferência de tecnologia e produção nacional do imunizante.
Durante a apresentação da estratégia, o ministro Alexandre Padilha destacou o avanço:
“Estamos garantindo que essa vacina, antes restrita à rede privada, seja oferecida gratuitamente e de forma nacionalizada pelo SUS. A vacinação das gestantes começará já em dezembro.”
Aplicação nas UBS e esquema vacinal
Assim que as doses forem distribuídas às Unidades Básicas de Saúde, as equipes iniciarão o chamamento das gestantes. A administração poderá ocorrer junto às vacinas de influenza e covid-19, caso a caderneta esteja desatualizada. A recomendação é de dose única por gestação.
Por que a vacina é importante
O VSR é responsável pela maior parte dos casos de bronquiolite e por um grande número de pneumonias em crianças pequenas. Somente entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil registrou 43,1 mil casos de SRAG por VSR, sendo 82,5% em menores de dois anos.
Sem tratamento específico para a bronquiolite viral, o atendimento depende de medidas de suporte, como hidratação e oxigenação. Estudos clínicos — entre eles o Estudo Matisse — demonstram que a vacina oferece mais de 80% de proteção contra quadros graves nos primeiros 90 dias após o nascimento.
Avanço nas coberturas vacinais
O ano de 2025 marcou uma recuperação consistente da vacinação no país. Quinze das 16 vacinas do calendário infantil registraram aumento de cobertura. Ações em escolas resultaram em mais de 1,2 milhão de doses aplicadas, somando-se a 7 milhões administradas durante a multivacinação. A tríplice viral manteve o Brasil livre do sarampo, com cobertura preliminar de 91,8% na primeira dose.













