O vereador Marcos Duarte foi alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (6), em Araguaína. A investigação apura suspeitas de crimes eleitorais ligados às eleições municipais de 2024, incluindo possível compra de votos, caixa dois e coação de servidores públicos.
Batizada de Operação Palavra-Chave, a ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão autorizados pela 34ª Zona Eleitoral. As equipes da PF estiveram em endereços ligados aos investigados para recolher documentos, celulares, computadores e outros materiais que possam contribuir com as investigações.
Segundo a Polícia Federal, o inquérito aponta que integrantes de um grupo político teriam sido orientados a realizar atividades de campanha em favor de um candidato a vereador sem que os gastos e serviços fossem oficialmente declarados na prestação de contas eleitoral. Para os investigadores, a prática pode caracterizar caixa dois eleitoral.
Além disso, a apuração também investiga denúncias de suposta compra de votos e pressão exercida sobre servidores municipais durante o período eleitoral.
De acordo com o delegado Alan Marcelo Braga Carvalho, denúncias indicam que funcionários públicos teriam sofrido ameaças relacionadas à permanência nos cargos caso não apoiassem o candidato investigado.
“Essa notícia de fato também reportava a prática de pressão sobre servidores municipais, os quais, caso não votassem no candidato indicado, poderiam perder os seus cargos”, explicou o delegado.
Os investigados poderão responder por crimes como corrupção eleitoral, falsidade ideológica eleitoral, coação e organização criminosa. Somadas, as penas podem ultrapassar 17 anos de prisão.
O nome da operação, segundo a PF, faz referência ao suposto mecanismo utilizado para garantir o cumprimento de acordos relacionados à compra de votos durante o processo eleitoral.
Em nota enviada à imprensa, Marcos Duarte afirmou ter recebido a operação com surpresa e classificou a ação como estranha pelo momento em que ocorreu.
“Já se passaram dois anos desde a eleição municipal, e apenas agora, em período de pré-campanha para deputado estadual, surge essa ação baseada em uma suposta denúncia anônima”, declarou o vereador.
O parlamentar também negou qualquer irregularidade e afirmou que as acusações não procedem.
“Foi uma denúncia anônima baseada em conversas de grupo de WhatsApp de moradores de um bairro. Depois disseram que minha chefe de gabinete estaria pressionando servidores da saúde. Nada disso procede”, afirmou.
Marcos Duarte ressaltou ainda que não foi formalmente intimado pela Justiça até o momento e criticou o impacto político causado pela operação.
“Na época da eleição não houve apreensão de nada. Dois anos depois fazer uma busca e apreensão só causa desgaste político”, disse.
Na nota, o vereador afirmou confiar nas instituições e declarou estar à disposição para prestar esclarecimentos. “Sempre atuei com responsabilidade e respeito à lei. Confio plenamente nas instituições e acredito que a verdade será restabelecida”, concluiu.













