A Embrapa Pesca e Aquicultura, localizada em Palmas (TO), inaugurou nesta sexta-feira (20) o primeiro Banco de Sêmen de Peixes Nativos do Brasil, voltado à conservação genética do tambaqui (Colossoma macropomum), uma das espécies mais importantes da aquicultura nacional. O novo banco representa um marco na pesquisa, inovação e sustentabilidade do setor, com o objetivo de preservar o material genético de linhagens selecionadas ao longo de sete anos de trabalho científico.
Com investimento de R$ 3 milhões, o banco foi construído para armazenar sêmen de tambaquis geneticamente qualificados e com alto grau de pureza e variabilidade genética. O material será conservado por meio da técnica de criopreservação, que permite o congelamento a -192°C e garante a disponibilidade futura dos genes mesmo após a morte dos animais.
A cerimônia de inauguração contou com a presença de diversas autoridades. O deputado federal Vicentinho Júnior, responsável por destinar recursos por meio de emenda parlamentar, destacou a seriedade da iniciativa:
“Eu sei que cada centavo aplicado na Embrapa é tratado com muito zelo. Hoje pude confirmar isso mais uma vez e continuarei trazendo recursos para a instituição.”
O secretário de Agricultura e Pecuária do Tocantins, César Halum, também reforçou a importância estratégica da iniciativa para a região:
“O banco é importante para o Brasil, mas ainda mais para o Tocantins e a Região Amazônica. Precisamos consolidar nosso peixe nativo e aumentar sua competitividade no mercado.”
Durante o evento, os parlamentares participaram simbolicamente do processo de coleta de sêmen, chegando a assinar as lâminas com amostras que foram imediatamente congeladas. Ao final, os convidados puderam degustar petiscos preparados com o próprio tambaqui, reforçando a conexão entre ciência e mercado.
Conservação e inovação no mesmo tanque
Segundo a pesquisadora Luciana Shiotsuki, da Embrapa Pesca e Aquicultura, o banco é fruto de um esforço contínuo para reunir material genético de qualidade oriundo tanto de fontes públicas quanto privadas.
“Queremos evitar que esse material genético se perca por falta de estrutura. A criação do banco é uma resposta concreta a esse desafio”, explica.
Hoje, o banco conta com três botijões de nitrogênio líquido, com capacidade para armazenar até 3.960 amostras. Esse número poderá crescer à medida que novos equipamentos forem adquiridos.
A criopreservação também traz vantagens econômicas e técnicas. Além de reduzir os custos de manutenção de reprodutores vivos, permite superar barreiras como a assincronia reprodutiva entre os peixes e facilita o transporte do material genético, com maior segurança sanitária.
Base para novas pesquisas
Mais do que um repositório genético, o banco será uma plataforma para pesquisas avançadas. Estão previstos estudos sobre qualidade espermática, desenvolvimento de técnicas mais eficazes de congelamento e descongelamento e aprimoramento dos recipientes de armazenamento.
Outra linha promissora é a conservação de células germinativas, que pode abrir novas fronteiras para a reprodução assistida de peixes nativos.
“Estamos fortalecendo a base científica e tecnológica para desenvolver estratégias mais eficazes de conservação e reprodução”, destaca a pesquisadora Luciana Ganeco.
Ainda indisponível para produtores
Neste primeiro momento, o banco de sêmen não estará acessível aos produtores comerciais. A prioridade é consolidar o acervo genético e estabelecer os protocolos de rastreabilidade. No entanto, já estão previstas novas coletas na próxima temporada reprodutiva do tambaqui.
A expectativa é que, em um futuro próximo, o banco possa abastecer programas de melhoramento genético e dar suporte técnico à cadeia produtiva da aquicultura nacional.
Impacto nacional
O projeto posiciona o Tocantins como referência em pesquisa aquícola e conservação de espécies nativas da Amazônia Legal. O tambaqui, além de ser um símbolo da biodiversidade brasileira, é uma espécie estratégica para garantir segurança alimentar, renda e sustentabilidade para milhares de produtores no país.
Com o novo banco, a Embrapa dá mais um passo firme em direção a um futuro em que ciência, conservação e produção caminham lado a lado.












