A Polícia Civil do Piauí revelou nesta quarta-feira (5) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) estava construindo uma distribuidora de combustível na rodovia que liga Teresina a Altos, com o objetivo de abastecer postos em outros estados e ampliar a atuação financeira da facção no setor. O local foi interditado durante a Operação Carbono Oculto 86, que também suspendeu o funcionamento de 49 postos de combustíveis em municípios do Piauí, Maranhão e Tocantins.
Segundo as investigações, o esquema movimentou cerca de R$ 5 bilhões em transações suspeitas, envolvendo empresas de fachada, laranjas, fundos de investimento e fintechs. A operação é um desdobramento da primeira fase da Carbono Oculto, deflagrada em agosto e considerada a maior ofensiva contra o crime organizado no país.
“O Piauí é estratégico, porque tem a única capital no interior. O grupo estava construindo uma distribuidora para irrigar os outros estados, alimentado pelo braço financeiro do PCC, com sede na Faria Lima”, explicou o secretário de Segurança do Piauí, Chico Lucas.
De acordo com o delegado Laércio Evangelista, coordenador do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o imóvel onde funcionaria a distribuidora foi interditado, e há indícios de que o espaço poderia ser usado para adulteração de combustíveis.
As autoridades afirmam que a infiltração da facção no setor trouxe desequilíbrio ao mercado e prejuízo aos consumidores, com práticas de bomba baixa e adulteração de combustíveis. As primeiras irregularidades foram detectadas em 2023, e três dos postos investigados acumulam mais de 20 autuações na Justiça entre 2023 e 2025.
“O PCC também pressionava empresários locais com preços mais baixos, em uma tentativa de dominar o mercado, como já fez em outros estados”, completou o secretário.
Esquema de lavagem e movimentações suspeitas
As investigações apontam que empresários piauienses atuavam em parceria com operadores financeiros já identificados na primeira fase da operação. Um dos casos destacados foi o do ex-vereador e ex-secretário Victor Linhares, acusado de movimentar R$ 230 mil via fintech BKBank, conhecida como a “fintech do PCC” e alvo recente da Polícia Federal.
Para mascarar os reais beneficiários, o grupo usava laranjas, fintechs e fundos de investimento, replicando o mesmo modus operandi de esquemas anteriores. Além da lavagem de dinheiro, os investigados são suspeitos de venda de combustível adulterado e fraude fiscal, que teria causado milhões em prejuízos aos cofres públicos.
Alvos e restrições judiciais
Foram alvos de medidas cautelares os empresários Haran Santhiago, Danillo Coelho de Sousa, Moisés Eduardo Soares Pereira, Salatiel Soido de Araújo, Denis Alexandre Jotesso Villani e João Revoredo Mendes Cabral Filho. Todos estão proibidos de sair de Teresina, mudar de endereço ou manter contato entre si.
Postos interditados
As interdições ocorreram em postos localizados nas seguintes cidades:
Piauí: Teresina, Lagoa do Piauí, Demerval Lobão, Miguel Leão, Altos, Picos, Canto do Buriti, Dom Inocêncio, Uruçuí, Parnaíba e São João da Fronteira.
Maranhão: Caxias, Alto Alegre e São Raimundo das Mangabeiras.
Tocantins: São Miguel do Tocantins.
A Operação Carbono Oculto 86 representa um novo golpe contra a estrutura financeira do PCC, que tem buscado se infiltrar em setores econômicos estratégicos do país. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e o destino dos valores movimentados pelo esquema.












