A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) abriu nesta quarta-feira (5) as inscrições para sua 20ª edição, marcando duas décadas de contribuições à educação brasileira. Organizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), a competição, criada em 2005, é aberta a estudantes do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, tanto de escolas públicas quanto privadas. As inscrições podem ser realizadas até o dia 17 de março.
Com a expectativa de reunir cerca de 18 milhões de estudantes, a OBMEP 2025 distribuirá 8.450 medalhas e 51 mil certificados de menção honrosa, além de oferecer aos premiados o convite para o Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC). O programa inclui aulas de reforço em matemática e uma bolsa mensal de R$ 300 para estudantes da rede pública.
Segundo Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA, a OBMEP não se limita a premiar estudantes, mas também busca engajar professores e tornar a matemática mais acessível por meio de abordagens lúdicas. “A Olimpíada contribui para transformar a relação de alunos e professores com a disciplina, incentivando a resolução de problemas de forma instigante”, afirma.
Competição democrática e inclusiva
Desde sua criação, a OBMEP chegou a todos os 5.564 municípios do país, consolidando-se como uma ferramenta democrática de incentivo ao aprendizado. Em 2022, a competição ganhou uma “irmã caçula”, a Olimpíada Mirim de Matemática, voltada aos alunos dos anos iniciais do ensino fundamental (2º ao 5º ano).
A edição de 2025 será dividida em duas fases. A primeira, uma prova objetiva com 20 questões, ocorrerá em 3 de junho. Os classificados passarão para a segunda fase, que será uma prova discursiva marcada para 25 de outubro. O resultado dos classificados para a segunda etapa será divulgado em 1º de agosto, e os premiados serão anunciados em 22 de dezembro.
Além disso, desde 2023, a OBMEP distribui medalhas por estado, ampliando o reconhecimento local de estudantes e professores. Para os próximos anos, o IMPA planeja expandir o alcance da competição em regiões carentes, investindo na formação de professores e no treinamento de estudantes.
Histórias que inspiram
A OBMEP tem desempenhado um papel importante na trajetória acadêmica de jovens brasileiros. Medalhistas da competição, como Luiz Filippe Campos e Raquel Liberato, utilizam o conhecimento adquirido para conquistar sonhos ambiciosos.
Luiz, de 17 anos, foi aprovado em medicina na USP pelo Provão Paulista e credita grande parte de seu sucesso ao Programa de Iniciação Científica da OBMEP. “O PIC não só me ajudou a melhorar em matemática, mas também abordou temas recorrentes nos vestibulares, como Fuvest e Enem”, explica.
Raquel, de 18 anos, também aprovada em medicina na USP, começou sua participação na OBMEP no 6º ano e acumulou cinco medalhas ao longo dos anos. “Sempre me esforcei muito. A olimpíada foi fundamental para me preparar e realizar meu sonho de ser cirurgiã”, relata a jovem, que vem de Flora Rica, uma cidade com pouco mais de 2 mil habitantes.
Impacto no ensino superior
A influência da OBMEP no acesso ao ensino superior tem crescido. Desde 2024, o IMPA passou a oferecer seu curso de graduação, o IMPA Tech, que utiliza medalhas em olimpíadas como critério de seleção. A iniciativa reforça o papel da competição como uma ponte para o ensino superior.
A OBMEP também inspirou outras universidades, como Unicamp e USP, a reservar vagas para medalhistas de olimpíadas científicas. Para Marcelo Viana, essa política é um reconhecimento do potencial transformador das competições acadêmicas: “Essas olimpíadas são instrumentos democráticos que identificam talentos em todo o Brasil e ajudam a construir o futuro do país.”
Com duas décadas de história, a OBMEP segue como um marco na educação brasileira, promovendo o gosto pela matemática e abrindo portas para milhares de jovens.
Fonte: Agência Brasil.












