Após 45 dias afastado da chefia do Palácio Araguaia, o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) se tornou alvo de três pedidos de impeachment protocolados nesta quinta-feira, 16. Dois dos pedidos foram apresentados pelo vereador de Palmas, Carlos Amastha, enquanto o terceiro foi encaminhado pelo advogado Paulo Roberto da Silva, de Araguaína. As denúncias se baseiam em investigações, como a Operação Fames-19 da Polícia Federal, que apontam graves irregularidades na gestão estadual durante a pandemia de Covid-19.
O pedido de impeachment destaca acusações de fraude na contratação de empresas para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados, com a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), ligada politicamente a Barbosa, permitindo a execução parcial dos contratos. O documento também acusa o governador afastado de receber propinas relacionadas a essas contratações.
Entre as revelações mais impactantes está a construção de uma pousada em Taquaruçu, que teria sido usada para lavagem de dinheiro, envolvendo aproximadamente R$ 24 milhões em dois anos. O pedido detalha ainda o envolvimento de um núcleo criminoso liderado por Paulo César Lustosa Limeira, ex-marido da primeira-dama Karynne Sotero, responsável por orquestrar um “balcão de negócios” dentro do governo.
O advogado Paulo Roberto da Silva, que assina o pedido, relembra que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a gravidade das ações de Barbosa ao determinar seu afastamento. O STJ destacou a atualidade do esquema de corrupção e o risco de obstrução das investigações, com tentativas de apagar provas e forjar documentos.
A peça jurídica reforça a urgência do processo de impeachment, defendendo que a medida é essencial para preservar a integridade das investigações e garantir que os interesses públicos sejam respeitados. O processo está longe de uma conclusão, mas já gera um forte impacto político e jurídico no Tocantins.












