A edição do Diário Oficial do Estado publicada na noite desta sexta-feira (5) confirmou oficialmente o retorno de Wanderlei Barbosa (Republicanos) ao comando do Governo do Tocantins. A publicação seguiu a liminar do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou temporariamente o afastamento imposto pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e devolveu o mandato ao governador.
Retorno vira ato político em Palmas
Logo após a confirmação oficial, Wanderlei partiu de Brasília em direção a Palmas e fez questão de registrar o momento em que recebeu a notícia, ajoelhado às margens de uma rodovia no sudeste do estado. A chegada do governador à capital, por volta das 20h, transformou-se em um grande evento político no Ginásio Ayrton Senna, em Taquaralto, onde aliados organizaram uma recepção com presença de prefeitos, vereadores e lideranças de todas as regiões.
No discurso, Wanderlei agradeceu o apoio recebido durante os três meses fora do cargo. Fez referência direta a deputados estaduais, federais e senadores, destacando nomes como Felipe Martins (PL), Ricardo Ayres (Republicanos) e, especialmente, o senador Eduardo Gomes (PL), citado como alguém que “animava todo dia”. O governador também mencionou o papel do filho, Léo Barbosa, e afirmou que sua volta não será acompanhada de retaliações políticas.
“Queremos um grupo que trabalhe, que não persiga ninguém e que não transforme disputa política em denúncia”, afirmou durante a fala, que foi encerrada com agradecimentos à imprensa e aos apoiadores. Ele também disse confiar no julgamento da Segunda Turma do STF, ainda pendente, e ressaltou que viajou semanalmente a Brasília em busca de apoio durante o período de afastamento.
O motivo do afastamento: relembre o caso
O retorno de Wanderlei ocorre em meio a uma das maiores crises políticas recentes no Tocantins. Ele e a primeira-dama, Karynne Barbosa, foram afastados do governo no dia 3 de setembro de 2025, por decisão do ministro Mauro Campbell, do STJ, posteriormente referendada pela Corte Especial.
As investigações da Polícia Federal apontam suspeitas de desvios de recursos públicos entre 2020 e 2021, quando Wanderlei comandava a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), responsável por administrar verbas destinadas ao atendimento social durante a pandemia de Covid-19. Segundo a PF, o então secretário teria articulado contratações ilícitas que resultaram em desvio de recursos.
A primeira-dama é investigada por suposta participação na intermediação dessas contratações, organização de documentos e acompanhamento da distribuição de vantagens indevidas. Os crimes investigados incluem frustração do caráter competitivo de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Na liminar que permitiu o retorno, o ministro Nunes Marques questionou a robustez das provas apresentadas pela PF e a falta de contemporaneidade entre os fatos investigados e a decisão de afastamento — decretada mais de quatro anos após os eventos e às vésperas do período eleitoral.
Com a publicação do Diário Oficial e a festa que marcou sua volta, o governador reassume o Palácio Araguaia enquanto aguarda o desfecho do julgamento no STF, que definirá se permanecerá no cargo durante a continuidade das investigações.













