A tensão na rede pública de saúde de Palmas ganhou novos contornos nesta sexta-feira (10), quando servidores municipais realizaram um protesto em frente à Secretaria Municipal de Saúde de Palmas contra a terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Em um ato simbólico que chamou atenção, manifestantes levaram dois caixões, representando o que classificam como o “fim da saúde pública” nas unidades Norte e Sul.
A mobilização ocorre após a formalização de um contrato milionário para gestão privada das UPAs. Publicado no Diário Oficial no dia 24 de março, o acordo prevê o repasse de R$ 139,1 milhões, pelo período de um ano, à Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, que passa a ser responsável pela administração dos serviços.
Como parte da reestruturação, a prefeitura lançou um edital com 474 vagas para redistribuição de servidores em toda a rede municipal. No entanto, o impacto foi imediato: muitas unidades registraram baixa adesão dos profissionais nesta sexta. Dados da própria Semus indicam que 80% dos servidores faltaram à UPA Norte, enquanto na UPA Sul o índice de ausência chegou a 65%.
O cenário se agravou após a intervenção do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins, que recomendou a suspensão do contrato. A decisão cautelar, publicada na quinta-feira (9), levanta suspeitas sobre a legalidade da parceria, apontando que a entidade contratada pode estar impedida de firmar acordos com o poder público.
A recomendação busca evitar possíveis prejuízos financeiros e garantir a continuidade dos atendimentos de urgência e emergência. Enquanto isso, o impasse entre servidores e gestão municipal aumenta a pressão sobre a prefeitura e deixa em aberto o futuro da administração das UPAs na capital.












