O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue em todo o país, incluindo a região de Araguaína, no norte do Tocantins, uma das quatro áreas escolhidas para testar a estratégia de imunização. A decisão foi tomada após o registro de 42 casos com sinais de alerta para formas graves da doença entre pessoas vacinadas, incluindo dois óbitos que agora estão sob investigação.
Segundo o governo federal, a medida é preventiva e foi adotada em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e especialistas responsáveis pelo monitoramento da segurança das vacinas. O objetivo é aprofundar a análise dos casos antes de decidir sobre a continuidade da estratégia.
Os episódios investigados representam apenas 0,008% das aproximadamente 500 mil doses aplicadas até o final de maio. Ainda assim, a ocorrência de três casos considerados graves e duas mortes levou as autoridades sanitárias a interromper temporariamente a vacinação.
A vacina do Instituto Butantan vinha sendo aplicada em profissionais da Atenção Primária à Saúde e em moradores com idade entre 15 e 59 anos em quatro regiões do país: Araguaína (TO), Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG).
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a decisão segue o princípio da precaução e busca garantir total segurança à população. As investigações irão avaliar se os casos possuem alguma relação com o imunizante ou se foram influenciados por fatores individuais de saúde dos pacientes.
Sintomas graves acenderam alerta
Os 42 casos analisados apresentaram sintomas considerados sinais de alerta para dengue grave, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos e agravamento do estado clínico. Essas manifestações não haviam sido identificadas durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação da vacina.
Apesar da suspensão, o Ministério da Saúde reforçou que não há comprovação de que a vacina tenha causado os casos investigados. Nos estudos que embasaram sua autorização, o imunizante apresentou eficácia de 65% contra a dengue e de 80,5% na prevenção de formas graves da doença.
Orientação para quem já foi vacinado
Pessoas que já receberam a vacina continuam sendo consideradas protegidas contra os quatro sorotipos da dengue. No entanto, a recomendação é que permaneçam atentas ao surgimento de sintomas nos 21 dias seguintes à aplicação.
Em caso de febre, dores abdominais intensas, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva ou sinais de desidratação, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
As secretarias de saúde também foram orientadas a reforçar a vigilância e a notificação de qualquer caso suspeito envolvendo pessoas imunizadas.
Doses permanecem armazenadas
As doses já distribuídas pelo Ministério da Saúde não serão descartadas. Os imunizantes permanecerão armazenados na rede de frio até a conclusão das análises técnicas que irão definir se a vacinação poderá ser retomada.
Casos de dengue caem no Brasil
Mesmo com a suspensão temporária da vacina Butantan-DV, o Ministério da Saúde destacou que as demais estratégias de combate à dengue continuam em vigor.
Dados nacionais apontam uma redução expressiva da doença em 2025. Até o final de maio, o Brasil registrou cerca de 365 mil casos prováveis de dengue, uma queda de 94% em comparação com o mesmo período do ano passado. O número de mortes também recuou 97%.
A vacinação com a Qdenga, disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, segue normalmente em todo o país.













