Desde 2006, o estado do Tocantins não vê um governador eleito democraticamente concluir o mandato até o fim. A sequência de afastamentos, cassações, prisões e pedidos de impeachment revela um cenário de instabilidade política crônica, alimentado por sucessivos escândalos de corrupção e irregularidades administrativas.
O último a terminar um mandato completo foi Marcelo Miranda (MDB), que governou o estado até 2006. Curiosamente, o próprio Miranda acabou por iniciar o ciclo de interrupções, sendo cassado em gestões seguintes por envolvimento em esquemas ilegais, o que consolidou uma “tradição” de mandatos interrompidos no estado.
Desde então, Tocantins passou por uma série de administrações curtas, marcadas por crises políticas e investigações. Entre os nomes afastados ou impedidos de governar estão Carlos Gaguim, Sandoval Cardoso, Marcelo Miranda (em mandato posterior) e Mauro Carlesse — todos alvos de ações judiciais ou processos de cassação.
Linha do Tempo: Instabilidade Política no Tocantins
Veja os principais marcos desde 2006:
* 2006: Marcelo Miranda conclui mandato, último a finalizar um ciclo.
* 2009: Miranda é cassado por abuso de poder; Carlos Gaguim assume.
* 2010: Siqueira Campos volta ao governo; renuncia em 2014.
* 2014: Sandoval Cardoso assume; é cassado em menos de um ano.
* 2015: Marcelo Miranda retorna, mas é cassado novamente em 2018.
* 2018: Mauro Carlesse é eleito; afastado em 2021 por suspeitas de corrupção.
* 2022: Wanderlei Barbosa assume como vice e depois se elege governador.
* 2025 (setembro): Wanderlei Barbosa é afastado por decisão do STJ.
O episódio mais recente envolve o atual governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), afastado do cargo quarta-feira (3) por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele é investigado por suposto envolvimento em um esquema de compras ilegais de cestas básicas com recursos públicos durante a pandemia de Covid-19. As suspeitas apontam para o uso político dos alimentos, prática que pode configurar crime de responsabilidade e improbidade administrativa.
A decisão do STJ determina o afastamento de Barbosa por 180 dias, enquanto as investigações prosseguem. O vice-governador, Laurez Moreira (PSD), assumiu interinamente o governo.
Especialistas apontam que a instabilidade política no Tocantins compromete não apenas a governabilidade, mas também o desenvolvimento econômico e social do estado. A sucessão de escândalos afeta a confiança da população nas instituições e dificulta a implementação de políticas públicas de longo prazo.
Criado em 1988, o Tocantins surgiu com a promessa de ser um modelo de gestão e desenvolvimento para o país. No entanto, passadas mais de três décadas, o estado enfrenta o desafio de reconstruir sua imagem e romper com o ciclo de crises que marca sua recente trajetória política.












