Desde o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, na BR-226, entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), a rotina de milhares de moradores do Bico do Papagaio tem sido duramente impactada. Para mitigar os efeitos do isolamento, o Governo do Tocantins implementou medidas emergenciais, como a travessia gratuita de passageiros por barcos e a reestruturação de rotas para o desvio de veículos. No entanto, o intenso fluxo de caminhões e carros pesados tem sobrecarregado as estradas estaduais, agravando as condições de tráfego em cidades como Aguiarnópolis, Axixá, São Miguel do Tocantins e Sítio Novo.
O governador Wanderlei Barbosa criticou a falta de suporte do governo federal. “Se você passar neste momento em Axixá, em São Miguel, em Sítio Novo, elas [estradas] acabaram, estão totalmente destruídas. Não tenho recebido apoio do Ministério dos Transportes. Estamos fazendo sozinhos as reparações”, declarou.
Pedido de apoio ao Dnit e operação tapa-buracos
Como parte das ações para garantir o abastecimento de estados vizinhos, o Governo do Tocantins, por meio da Ageto (Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura), sinalizou rotas alternativas em rodovias estaduais, incluindo as TO-126, TO-134 e TO-201. Além disso, foi solicitado ao Dnit que mantenha a estrutura dessas vias até a conclusão da nova ponte.
Entretanto, a resposta federal ainda não veio. “O Dnit poderá atuar nas nossas rodovias estaduais, pois oficializa a concessão das nossas estradas para manutenção. A expectativa é que esse documento seja assinado com urgência”, pontuou Ruberval Sousa de França, vice-presidente da Ageto. Enquanto isso, quatro equipes realizam operações de tapa-buracos e manutenção diuturnamente.
Rotina alterada e impactos econômicos
O aumento no fluxo de veículos pesados, com mais de 5 mil caminhões passando diariamente pelas rodovias estaduais, tem afetado o comércio e a vida cotidiana. Em Sítio Novo, a prefeita Dora Farias relatou as dificuldades. “O fluxo aumentou muito, principalmente na avenida principal. Os moradores reclamam do barulho e do perigo constante. Nenhuma cidade do Bico do Papagaio estava preparada para isso”, afirmou.
A situação é semelhante em Axixá do Tocantins e São Miguel do Tocantins, que também enfrentam estradas deterioradas e um trânsito intenso. “Estamos vendo as estradas se acabando aos poucos, mas não há movimentação do Dnit. Precisamos de uma solução urgente”, desabafou Valnei Monteiro, secretário de Administração de São Miguel.
Fiscalização e segurança viária
Para preservar o estado das rodovias, a Ageto intensificou a fiscalização, utilizando balanças de pesagem para monitorar o Peso Bruto Total (PBT) dos veículos, conforme o Código de Trânsito Brasileiro. Entre 50 e 80 veículos são fiscalizados diariamente.
A Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec/TO) também reforçou o controle sanitário nas rodovias, com barreiras fixas para evitar a entrada de pragas e doenças que possam afetar a agropecuária local.
Cobrança por uma solução definitiva
Com a demora no apoio federal, as cidades do Bico do Papagaio seguem lidando com os desafios praticamente sozinhas. O prefeito de Aguiarnópolis, Wanderly dos Santos, agradeceu o esforço do governo estadual, mas destacou a necessidade de uma resposta mais ampla. “Mesmo diante dessa tragédia, o governador tem nos apoiado, mas precisamos de uma solução definitiva. Não podemos carregar esse peso sozinhos”, afirmou.
Com a aproximação do período chuvoso, autoridades e moradores temem que a situação piore ainda mais. Enquanto a nova ponte não sai do papel, o apelo é unânime: o Tocantins precisa de ajuda imediata.












