O governador em exercício do Tocantins, Laurez Moreira (PSD), concedeu entrevista coletiva à imprensa na tarde desta quarta-feira (3/9), no Palácio Araguaia, para apresentar as primeiras medidas à frente do Executivo estadual. A principal decisão anunciada foi a exoneração de todos os integrantes do primeiro escalão do governo, incluindo secretários estaduais e presidentes de autarquias.
“Fui pego de surpresa [com o afastamento do governador Wanderlei Barbosa] e ainda não tenho alguns nomes definidos [para assumir os cargos], mas vou exonerar todos os secretários do primeiro escalão, seguindo a orientação do ministro. Em breve, vocês vão ver o Tocantins ganhando prêmios como o estado mais transparente do Brasil”, afirmou Laurez.
A medida ocorre um dia após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmar, por unanimidade, o afastamento cautelar do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) por 180 dias, em decorrência de investigação da Polícia Federal que apura o desvio de R$ 73 milhões em recursos públicos durante a pandemia.
Laurez nega articulação política e responde acusações
Durante a coletiva, Laurez também se defendeu das acusações feitas por Wanderlei Barbosa, que o acusou, em vídeo publicado nas redes sociais, de ter articulado o seu afastamento com apoio da ex-senadora Kátia Abreu e do filho dela, o senador Irajá (PSD).
“Falácia, desafio ele a provar. É até um desrespeito contra as instituições. Quem me conhece sabe que eu não arquiteto nada contra ninguém”, rebateu Laurez, visivelmente incomodado com a acusação.
O novo governador garantiu que não haverá exonerações em massa de servidores efetivos e reforçou seu compromisso com a valorização do funcionalismo público.
“Tenho muito respeito pelos servidores e eu entendo que a melhor seleção que existe é o concurso público”, declarou.
Prioridades: saúde, transparência e retomada de obras
Entre as prioridades de sua gestão, Laurez destacou a continuidade e conclusão das obras dos hospitais de Araguaína e Gurupi, além da descentralização da saúde. Sobre o Hospital Geral de Araguaína (HGA), que está em obras há mais de uma década, ele lamentou a lentidão.
“São 14 anos de obra. Isso é inadmissível”, comentou.
O governador também criticou a falta de transparência nas gestões anteriores, questionando o uso de documentos em papel em pleno século XXI.
“Qual o interesse de ainda manter documentos em papel? Não há justificativa. O governante não consegue ver tudo o que os secretários estão fazendo, mas se abrir as contas, a população e a imprensa podem ajudar a fiscalizar.”
“Não tenho compromisso com o erro de ninguém”
Ao encerrar a entrevista, Laurez Moreira reforçou o compromisso com uma gestão baseada em planejamento, seriedade e eficiência da máquina pública.
“Não tenho compromisso com o erro de ninguém. Vou fazer meu trabalho com seriedade e respeito.”
A coletiva contou com a presença de diversas autoridades, entre elas os deputados estaduais Janad Valcari (PL) e Gutierres Torquato (PDT), além de ex-parlamentares como César Halum e Stalin Bucar, assessores e aliados políticos.
Wanderlei Barbosa se diz perseguido
No final da tarde, o governador afastado Wanderlei Barbosa divulgou um vídeo em suas redes sociais afirmando ser vítima de perseguição política. Na gravação, ele acusa diretamente Laurez Moreira de articular sua saída do cargo.
“Eu sabia o que ele [Laurez] estava fazendo. Tinha informações diárias dele em Brasília, tentando o tempo inteiro me afastar do mandato, de uma função que fui eleito com quase 500 mil votos”, disse Wanderlei, que informou estar a caminho de Brasília para acompanhar os desdobramentos do processo no STJ.













