O setor de mineração tem se consolidado como um dos pilares econômicos do Tocantins, movimentando cifras expressivas e atraindo investidores. Em 2024, as empresas do segmento faturaram R$ 1,75 bilhão no estado, registrando um crescimento de 21,11% em relação ao ano anterior, conforme dados da Agência de Mineração do Estado do Tocantins (Ameto). Até 2027, estão previstos investimentos de aproximadamente R$ 4 bilhões em mais de 30 projetos estratégicos de mineração no estado.
A mineração não apenas impulsiona a economia, mas também transforma a realidade de diversas cidades do interior tocantinense. No início de fevereiro deste ano, o governo do estado anunciou a aquisição do projeto de implantação da mina de ouro em Monte do Carmo pela mineradora peruana Hochschild Mining, com investimento de R$ 1,4 bilhão. O empreendimento, atualmente em fase de licenciamento, tem potencial para gerar 2 mil empregos diretos e indiretos na região.
Geração de empregos e arrecadação
De acordo com a Ameto, para cada emprego direto na mineração, são gerados 11 indiretos. Isso significa que o setor é responsável por cerca de 26.760 empregos diretos e indiretos no Tocantins.
Outro fator relevante é a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), que somou R$ 30.278.138,78 em 2024. Os recursos arrecadados são repassados da seguinte forma:
* Município produtor: 60%
* Município afetado: 15%
* Estado: 15%
* União: 10%
A Agência Nacional de Mineração (ANM) estabelece que os municípios afetados também têm direito aos “royalties” de mineração nos seguintes casos:
* Quando cortados por ferrovias e dutos para transporte de minérios;
* Quando são utilizados para embarque e desembarque de produtos via portos;
* Quando possuem barragens de rejeitos, instalações que recebam substâncias minerais ou pilhas de material removido sem finalidade comercial.
Impactos sociais e ambientais
O avanço da mineração no Tocantins também gera preocupações entre os moradores. Em Monte do Carmo, por exemplo, onde o novo projeto de mineração de ouro está em andamento, o fluxo de pessoas aumentou significativamente, o que é positivo para o comércio, mas também traz desafios estruturais.
Outro ponto de preocupação está relacionado aos impactos ambientais. A mineradora de Monte do Carmo está instalada próxima à nascente de dois córregos que abastecem o município. A Ameto garante que todos os projetos de mineração seguem rigorosas legislações ambientais e são fiscalizados pelos órgãos competentes.
Distribuição das mineradoras no Tocantins
O estado do Tocantins possui uma variedade de minérios em exploração. Além do ouro, destacam-se a produção de calcário, fosfato, gipsita, ferro, manganês, esmeralda, quartzo, granada e materiais para construção civil.
Os principais locais de mineração no estado incluem:
* Palmeirópolis: Produção de ouro, cobre, prata e chumbo.
* Almas, Monte do Carmo, Chapada da Natividade, Pindorama e Natividade: Mineração de ouro.
* Almas e Natividade: Também são produtoras de calcário, assim como Bandeirantes, Taguatinga, Xambioá, Formoso do Araguaia, Pugmil e Novo Jardim.
* Arraias: Exploração de fosfato.
* Monte Santo e Cristalândia: Produção de esmeraldas e cristal, respectivamente.
Com investimentos crescentes e um forte impacto econômico, a mineração continua a transformar o Tocantins. No entanto, o desafio está em equilibrar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e a melhoria da infraestrutura local para atender às demandas da população.












