Dados divulgados pela plataforma de dados jurídicos Escavador revelam um cenário preocupante sobre a violência doméstica contra a mulher no Brasil. Apenas em 2025, cerca de 55 mil processos relacionados ao crime foram registrados no país, o que representa uma média de 151 novos casos por dia ao longo do ano.
O levantamento foi divulgado em meio às reflexões do Mês da Mulher e aponta que as regiões Nordeste e Norte concentram o maior número de ações judiciais. Juntas, elas somam 36 mil processos, sendo 24 mil no Nordeste e 12 mil no Norte. Na sequência aparecem o Sudeste, com 10 mil registros, o Centro-Oeste, com 7 mil, e o Sul, com 788 casos.
Entre os estados, a Bahia lidera o ranking nacional, com 9.819 processos registrados em 2025. Logo atrás aparece o Tocantins, com 8.627 ações, número que chama atenção diante da população do estado e evidencia a gravidade da situação. Na sequência estão Espírito Santo (5.744), Distrito Federal (4.331) e Ceará (3.768).
O estudo também destaca que o Brasil possui atualmente cerca de 104 milhões de mulheres, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e que muitas ainda enfrentam diferentes formas de vulnerabilidade e violência no cotidiano.
De acordo com Dalila Pinheiro, analista jurídica sênior e responsável pela proteção de dados da plataforma, o monitoramento detalhado dos processos permite identificar padrões e direcionar melhor as ações de enfrentamento à violência contra a mulher.
Segundo ela, os dados mostram que a distribuição dos casos não é uniforme pelo país, indicando que fatores sociais, culturais e econômicos influenciam diretamente na incidência da violência doméstica.
A análise mensal feita pelo Escavador também apontou variações ao longo de 2025. Nos primeiros meses houve leve queda nos registros — fevereiro teve cerca de 4,3 mil processos, número 9% menor que janeiro, que registrou aproximadamente 4,7 mil casos.
Já no segundo trimestre a curva voltou a crescer, com 5,1 mil processos em abril e 5,2 mil em maio. O pico anual ocorreu em setembro, quando foram contabilizados 5,4 mil processos. Nos meses seguintes houve redução gradual, com 4,5 mil casos em outubro, 4,1 mil em novembro e 3,7 mil em dezembro.
Para a especialista, essas oscilações demonstram que a violência doméstica não segue um padrão fixo ao longo do ano, o que reforça a necessidade de políticas públicas permanentes de prevenção, proteção e acolhimento às vítimas.
O Escavador reúne informações de mais de 600 bases oficiais de dados jurídicos e também permite consultas sobre histórico processual. Segundo Dalila Pinheiro, o acesso à informação pode se tornar uma ferramenta importante de prevenção.
“Quando as mulheres têm acesso a dados e informações, elas ganham mais um recurso para tomar decisões com mais segurança”, destaca.
O levantamento reforça a urgência de ações integradas entre poder público, instituições de justiça e sociedade para enfrentar a violência doméstica e garantir mais proteção às mulheres em todo o país.













