A Polícia Federal (PF) revelou novos detalhes sobre a investigação que envolve o governador afastado do Tocantins, Wanderlei Barbosa, e sua esposa, Karynne Sotero. Em um relatório divulgado nesta semana, a PF aponta que a casa de Joana Darc Sotero Campos, mãe de Karynne, foi utilizada como ponto de apoio para ocultação de bens, documentos e valores ligados a um esquema de corrupção envolvendo recursos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia.
As informações constam no Pedido de Busca e Apreensão Criminal nº 95/DF (PBAC 95/DF), autorizado pelo ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e foram reveladas após a deflagração da Operação Nêmesis, em 12 de novembro. O objetivo da operação é investigar tentativas de obstruir a Operação Fames-19, que apura o desvio de mais de R$ 70 milhões de recursos federais.
O Papel da Casa de Joana Darc na Ocultação de Provas
Segundo a PF, a residência de Joana Darc, localizada na Quadra 603 Sul em Palmas (TO), foi usada para armazenar objetos que poderiam comprometer as investigações. Em setembro de 2025, durante o cumprimento de mandados de busca da segunda fase da Operação Fames-19, agentes observaram intensa movimentação de caixas, malas e mochilas sendo retiradas de outros imóveis ligados ao governador afastado e à primeira-dama. A denúncia anônima recebida pela PF indicava que veículos oficiais e pessoas próximas aos investigados estavam descarregando volumes no local.
A movimentação foi registrada no dia 3 de setembro, e imagens obtidas pelos investigadores mostram Wanderlei Barbosa em frente à casa, aparentemente orientando o transporte dos objetos. A PF acredita que a residência de Joana Darc foi utilizada para ocultar itens relacionados a desvios de recursos públicos, com a intenção de embaraçar as investigações em andamento.
Evasão de Provas e Tentativas de Destruição de Evidências
O relatório da PF também revela que, na noite de 2 de setembro, Wanderlei Barbosa e Karynne Sotero deixaram a residência oficial às pressas, logo após uma visita do advogado Thomas Jefferson Gonçalves Teixeira. O advogado, ex-secretário de Parcerias e Investimentos, é suspeito de vazar informações sobre a operação. Na manhã seguinte, a PF encontrou um cofre aberto e vazio, um celular “resetado” e R$ 52 mil escondidos em um armário. Essas evidências indicam uma tentativa deliberada de destruir ou ocultar provas.
Filhas de Karynne Sotero Também Envolvidas nas Ações
O relatório também cita as filhas de Karynne Sotero, Yasmin Sotero Lustosa e uma menor de idade, como participantes nas tentativas de ocultação de provas. Yasmin foi flagrada com seu veículo estacionado em frente à casa de sua avó durante o esvaziamento da residência. Já a menor teria alertado a mãe sobre a chegada do advogado suspeito. A PF conclui que ambas tinham conhecimento das ações de evasão e ocultação.
Reações dos Envolvidos
Wanderlei Barbosa, por meio de sua assessoria, expressou estranheza com a operação da PF, especialmente em um momento de expectativa pelo julgamento do Habeas Corpus que pode permitir seu retorno ao cargo de governador. O político afirmou que está à disposição para colaborar com as investigações e reiterou sua confiança nas instituições de justiça.
Karynne Sotero, por sua vez, rejeitou as acusações de obstrução das investigações, classificando-as como infundadas. Ela também lamentou o que considerou uma tentativa de intimidação contra sua família, mencionando que sua mãe, Joana Darc, precisou ser hospitalizada após a ação da PF. Karynne garantiu estar totalmente disponível para colaborar com a Justiça e esclarecer os fatos.
A Operação Nêmesis segue em andamento, e novas informações devem ser divulgadas nos próximos dias, à medida que as investigações sobre os desvios de recursos públicos e as tentativas de obstrução da Justiça se aprofundam.













