O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou por meio de liminar o retorno de Wanderlei Barbosa (Republicanos) ao cargo de governador do Tocantins. A decisão, publicada nesta sexta-feira (5), suspende os efeitos do afastamento determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que tinha validade de 180 dias. O caso ainda será analisado pela Segunda Turma do STF.
Wanderlei estava afastado desde setembro, sob suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19. A liminar não menciona a situação da primeira-dama Karynne Sotero, que também havia sido afastada.
Em sua decisão, Nunes Marques destacou que medidas excepcionais como o afastamento de um chefe do Executivo exigem “fundamentação robusta” e risco comprovado à ordem pública ou à aplicação da lei penal — o que, segundo ele, não ficou evidenciado. O ministro também considerou que a permanência do afastamento às vésperas de um ano eleitoral poderia gerar “grave instabilidade política e jurídica”.
A defesa do governador, representada pelo advogado Felipe Fernandes, afirmou em nota que recebe a decisão com serenidade e reforçou que o retorno restabelece a normalidade institucional. O ministro também apontou que os indícios apurados pela Polícia Federal não seriam contemporâneos ao afastamento e que a Procuradoria-Geral da República já havia se manifestado contra a medida imposta pelo STJ.
Vice–governador exerceu o cargo durante afastamento
Durante os três meses em que Wanderlei Barbosa esteve fora do comando do Executivo estadual, o vice-governador Laurez Moreira (PSD) assumiu o cargo e promoveu mudanças significativas. Entre as primeiras ações, exonerou todo o primeiro escalão do governo e suspendeu um contrato de táxi aéreo utilizado por Wanderlei para viagens oficiais.
Afastamento ocorreu em setembro
O afastamento de Wanderlei e da primeira-dama ocorreu em 3 de setembro de 2025, por determinação do ministro Mauro Campbell, do STJ, posteriormente confirmada pela Corte Especial. A investigação apura possíveis desvios ocorridos entre 2020 e 2021, período em que a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), então sob responsabilidade de Wanderlei, executava programas assistenciais durante a pandemia.
A Polícia Federal atribui à primeira-dama participação na intermediação de contratos e na organização de documentos, além de suposta ciência da distribuição de valores ilícitos. Os crimes investigados incluem frustração de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Novos desdobramentos durante o afastamento
Mesmo afastado, Wanderlei Barbosa voltou a ser alvo da Polícia Federal em 12 de novembro de 2025, na Operação Fames-19, que investiga suposta tentativa de obstrução às investigações sobre o desvio de cestas básicas. A PF relatou que veículos oficiais teriam sido utilizados para retirar documentos de interesse do inquérito, causando embaraço ao trabalho investigativo.
No dia da operação, policiais que cumpriram mandados na casa do governador relataram ter encontrado luzes acesas, televisão ligada e o celular de Wanderlei “resetado”, restaurado às configurações de fábrica — ação que, segundo os investigadores, pode indicar destruição de possíveis provas.
As investigações seguem em sigilo no STJ, enquanto o governador retoma o comando do Estado por força da decisão do STF.













