Há mais de um mês, a tragédia do desabamento da Ponte JK abalou profundamente a região, levando não apenas vidas, mas também interrompendo um dos principais acessos entre Aguiarnópolis e Estreito. Desde então, a travessia do Rio Tocantins se tornou um grande desafio para moradores e motoristas. E é com grande expectativa que todos aguardam a chegada da balsa da empresa Pipes, que saiu de Imperatriz na última segunda-feira (20) com destino a Estreito. Sua missão: fazer a travessia do rio e reestabelecer a conexão vital entre as duas cidades.
O trajeto, no entanto, não está sendo fácil. A balsa precisa enfrentar obstáculos naturais, como a passagem pela cidade de Itaguatins, onde a famosa Cachoeira de Santo Antônio, com sua correnteza forte e pedras traiçoeiras, representa um grande risco. Nesta tarde, apesar dos esforços e da potência dos três reboques que guiam a embarcação, a balsa não conseguiu superar a força das águas e acabou encalhada nas pedras.
Os técnicos da empresa Pipes e especialistas locais estão trabalhando incansavelmente para encontrar a melhor forma de desobstruir o caminho e permitir que a balsa continue sua jornada. A ansiedade cresce em Estreito, onde a chegada da balsa é esperada não apenas como uma solução para o transporte de cargas, mas também como um alívio para a população, que vive com dificuldades desde o desabamento da ponte.
No dia 22 de dezembro de 2024, a Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, localizada entre as cidades de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), desabou sobre o Rio Tocantins, resultando em uma tragédia com perdas humanas e danos ambientais significativos. Passado um mês desde o ocorrido, a busca por desaparecidos e o trabalho de recuperação continuam, com desafios substanciais para a equipe de resgate e as autoridades responsáveis.
Desaparecidos e veículos submersos
Atualmente, três pessoas continuam desaparecidas, enquanto o veículo que ficou preso em uma fenda da ponte permanece no local do acidente junto com outros 3 veículos. Entre eles, dois caminhões. Além disso, as bombonas de agrotóxicos, que estavam sendo transportadas por um caminhão, seguem submersas no fundo do Rio Tocantins, complicando ainda mais a situação.
Desafios no resgate e recuperação ambiental
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que a remoção dos agrotóxicos provavelmente só será possível até o fim de abril, devido à profundidade do rio (superior a 40 metros) e à vazão elevada da água. Durante o mês de janeiro, mergulhadores conseguiram retirar 29 bombonas com 20 litros de agrotóxicos cada, porém as operações foram suspensas a partir de 10 de janeiro devido ao aumento da vazão da Usina Hidrelétrica de Estreito, o que impossibilitou a continuidade dos trabalhos.
O cenário exige 145 dias de mergulho contínuo para a retirada total das bombonas, conforme o plano de mergulho elaborado pela empresa Port Ship, contratada pela Ambipar. No entanto, essa atividade só pode ser realizada com segurança quando a vazão do rio atinge cerca de 1.000 m³/s, condição controlada pela Usina de Estreito. O Ibama também solicitou ao Consórcio Estreito Energia (Ceste) a previsão de janelas de vazão controlada, mas a resposta indicou que essas janelas não devem ocorrer até o fim de abril, período em que o nível do rio se mantém alto devido ao período de chuvas.
Respostas emergenciais e apoio financeiro
Para enfrentar os danos provocados pelo desabamento, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, autorizou o repasse de R$792.968,00 para ações de resposta e auxílio à população de Estreito (MA). Esse valor será utilizado para atender aos impactos do desastre, incluindo resgates, apoio à infraestrutura e ajuda às vítimas.
Obras de emergência e reconstrução
A construção de um acesso para balsas, iniciado 24 dias após o desabamento da ponte, busca minimizar os impactos na mobilidade entre as cidades de Aguiarnópolis e Estreito. A empresa que vai fazer o transporte de balsa gratuito, entre os dois municípios onde a ponte desabou, recebeu investimento de R$6,4 milhões, com a expectativa de início dos serviços após a conclusão de algumas exigências técnicas, como a finalização dos acessos e a adequação das balsas.
Em paralelo, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) deve iniciar a construção de uma nova ponte sobre o Rio Tocantins. O cronograma prevê que, entre janeiro e março de 2025, ocorra a demolição das partes da ponte antiga que permaneceram de pé, com a conclusão da nova estrutura prevista para o final de 2025. A obra será realizada em várias etapas, começando com a infraestrutura e a construção de pré-moldados, com término da superestrutura e pavimentação até dezembro de 2025. Enquanto isso, dia 21, começaram os serviços para a implosão do que restou da ponte, uma empresa contratada pelo DNIT está fazendo a perfuração dos pilares para a colocação de explosivos. Ainda não foi definida a data da implosão.
Vítimas resgatadas
Desde o desabamento, as equipes de resgate encontraram e identificaram as vítimas fatais da tragédia. Entre elas, destacam-se Lorena Ribeiro Rodrigues, de 25 anos, e Lorranny Sidrone de Jesus, de 11 anos, cujos corpos foram encontrados entre 22 e 24 de dezembro. Várias outras vítimas foram localizadas ao longo dos dias subsequentes, Com isso, são 14 mortes confirmadas no acidente. Três pessoas seguem desaparecidas, e apenas uma foi resgatada com vida das 18 pessoas que estavam nos veículos que trafegavam pela ponte no momento do desabamento.
Investigação sobre as causas do desabamento
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) instaurou uma sindicância para apurar as causas do desabamento da ponte. A principal hipótese é que o vão central da estrutura tenha cedido, mas a investigação está em andamento, e as responsabilidades pelo ocorrido ainda estão sendo analisadas.
Além disso, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em conjunto com órgãos ambientais, estabeleceu uma sala de crise para monitorar e analisar a qualidade da água do Rio Tocantins, a fim de garantir que os impactos ambientais sejam mitigados o mais rápido possível.
Conclusão e próximos passos
A tragédia que envolveu o desabamento da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira deixou marcas profundas nas comunidades de Estreito e Aguiarnópolis. As autoridades estão se esforçando para garantir a recuperação das vítimas, a segurança ambiental e a reconstrução da infraestrutura, enfrentando uma série de desafios, especialmente com relação à retirada dos produtos químicos e ao controle da vazão do rio. A população local continua esperando por soluções eficazes para a travessia e pela retomada das atividades no local.
A previsão é que as obras de recuperação da ponte, bem como as operações de resgates e a recuperação ambiental, sigam até o final de 2025. O apoio da Defesa Civil Nacional e das empresas envolvidas, como a Ambipar e a Port Ship, é essencial para garantir que os danos sejam minimizados e que a área seja devidamente recuperada.












