Uma falha nos sistemas da Amazon Web Services (AWS), plataforma de computação em nuvem da Amazon, causou instabilidade generalizada em sites, aplicativos e serviços digitais ao redor do mundo nesta segunda-feira (20). A interrupção, identificada por volta das 4h11 (horário de Brasília), afetou bancos de dados e servidores virtuais, impactando diretamente mais de 500 empresas, segundo a agência Reuters.
Entre os serviços atingidos estão nomes populares como iFood, Mercado Livre, PicPay, Canva, Zoom, HBO, Duolingo e até jogos como Fortnite e Roblox. A lista também inclui empresas financeiras, plataformas de streaming, aplicativos de mobilidade, bancos digitais e redes sociais.
A falha, inicialmente registrada na região US-EAST-1 — um dos principais centros de dados da AWS — gerou efeitos em cadeia, provocando instabilidades que se prolongaram até o início da noite. Segundo a Amazon, todos os serviços foram restabelecidos às 19h01.
O que aconteceu
A AWS confirmou que o incidente foi causado por um problema nos sistemas de banco de dados e infraestrutura virtual. O site Downdetector, que monitora falhas em tempo real, recebeu mais de 4 milhões de notificações de usuários com dificuldades de acesso a serviços diversos ao longo do dia.
De acordo com especialistas, o impacto global se deve à concentração de serviços hospedados na região US-EAST-1, a primeira zona operacional da AWS desde 2006. “Muitas empresas ainda mantêm seus sistemas nessa região, o que explica o alcance da falha”, afirma Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks.
Falta de preparo?
Apesar de episódios semelhantes no passado — como o colapso de sistemas causado pela falha da CrowdStrike em 2024 — especialistas apontam que muitas empresas ainda não adotam estratégias de redundância ou backup eficazes.
“Há uma percepção de que a infraestrutura na nuvem é infalível, mas como vimos, isso não é verdade. A descentralização e os backups em múltiplas regiões são essenciais para evitar esse tipo de apagão”, alerta Ayub.
Por que a nuvem é tão usada?
A computação em nuvem se tornou padrão para empresas que buscam agilidade, redução de custos e escalabilidade. Em vez de investir em grandes servidores próprios, as companhias alugam a infraestrutura de gigantes como AWS, Google Cloud e Azure. Isso permite ajustar a capacidade conforme a demanda, especialmente em períodos críticos como Black Friday ou grandes lançamentos.
Além disso, a nuvem permite acesso remoto, backups automáticos e maior segurança — ao menos em teoria.
Veja alguns dos serviços afetados:
iFood
Mercado Livre e Mercado Pago
PicPay
Canva
Prime Video
Zoom
Duolingo
HBO
Clash of Clans / Clash Royale
Fortnite / Roblox
Coinbase
OLX
Signal
Stone
Banco Pan
Alexa
Snapchat
Roku
Robinhood
Lyft
Claro
Rede
Wellhub
Perplexity
A AWS foi criada em 2002 para atender à demanda interna da Amazon, mas se tornou uma gigante do setor e, atualmente, é a espinha dorsal da internet moderna. O incidente desta segunda-feira serve como alerta: mesmo os maiores sistemas do mundo estão sujeitos a falhas — e suas consequências podem ser globais.












