O Parque Estadual do Jalapão (PEJ) chega aos seus 25 anos consolidado como um dos maiores patrimônios naturais e culturais do Tocantins. Criada pela Lei Estadual nº 1.203/2001, a unidade de conservação, administrada pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), tornou-se referência internacional por suas paisagens únicas — como dunas alaranjadas, fervedouros, rios e cachoeiras — e pela expressiva biodiversidade do Cerrado.
Com área aproximada de 159 mil hectares, o PEJ integra o grupo das Unidades de Conservação de Proteção Integral, cujo foco é a preservação ambiental, permitindo apenas o uso indireto dos recursos naturais. Ao longo dessas duas décadas e meia, o parque se firmou como território estratégico para a proteção de espécies da fauna e da flora, além de símbolo de identidade cultural para as comunidades tradicionais da região.
De acordo com o Naturatins, o Jalapão abriga mais de 400 espécies catalogadas, incluindo animais ameaçados de extinção, como o pato-mergulhão, o tatu-canastra e o lobo-guará. Para o presidente do Instituto, Cledson Lima, o sucesso da preservação está diretamente ligado ao trabalho conjunto com as comunidades locais. “São 25 anos de dedicação à educação ambiental, ao turismo sustentável e à conservação desse ecossistema singular. A parceria com as comunidades quilombolas e tradicionais foi essencial para manter vivas tanto a natureza quanto a cultura do Jalapão”, destacou.
Turismo em crescimento e fiscalização permanente
O parque também se consolidou como um dos principais destinos turísticos do Tocantins. Somente em 2025, cerca de 55 mil visitantes passaram pela unidade. Para garantir que o aumento do fluxo turístico não gere impactos ambientais, o Naturatins mantém ações contínuas de fiscalização, ordenamento e orientação.
Segundo a diretora de Biodiversidade e Áreas Protegidas, Perla Ribeiro, o desafio é equilibrar visitação e conservação. “Nosso papel é assegurar que o turismo ocorra de forma responsável, respeitando os limites ambientais e promovendo a participação social. A preservação depende de diálogo, planejamento e fiscalização permanente”, afirmou.
Pesquisa e proteção de espécies ameaçadas
Além de atrair turistas, o Jalapão é alvo de pesquisas científicas voltadas à conservação. Um dos principais focos é o pato-mergulhão, considerado bioindicador da qualidade da água e classificado como Criticamente em Perigo. Desde 2007, o Naturatins monitora a espécie na região, que concentra a menor população do país.
Em outubro de 2024, o Governo do Tocantins instituiu o Programa de Monitoramento e Conservação do Pato-Mergulhão (Pro PaTO), com ações concentradas no Rio Novo. Entre as iniciativas estão o monitoramento por GPS, instalação de ninhos artificiais e incubação de ovos em cativeiro para posterior reintrodução dos filhotes na natureza.
Cultura viva e uso sustentável
A integração entre preservação ambiental e cultura tradicional também se expressa no capim-dourado, elemento simbólico do Jalapão. O artesanato feito a partir da espécie Syngonanthus nitens representa não apenas fonte de renda, mas um patrimônio cultural transmitido entre gerações. Em 2024, Mateiros foi reconhecida como Capital Nacional do Capim-Dourado, e o artesanato recebeu o título de Manifestação Cultural Nacional.
O Naturatins atua na regulamentação e fiscalização do manejo sustentável da planta, além de promover ações educativas para garantir a conservação da espécie e a continuidade da atividade artesanal. “Valorizamos os artesãos e incentivamos alternativas de renda alinhadas à conservação. Essa atuação integrada é fundamental para proteger o ecossistema e assegurar o futuro da região”, reforçou Perla Ribeiro.
Gestão participativa e prevenção de incêndios
A gestão do Parque Estadual do Jalapão é baseada na participação comunitária, com prioridade para o turismo ecológicoe o Manejo Integrado do Fogo (MIF). Implantado em 2014, o MIF contribuiu para a redução de incêndios florestais, a proteção da biodiversidade e o fortalecimento das comunidades tradicionais, que utilizam o fogo de forma controlada como ferramenta de gestão territorial.
Para a supervisora do PEJ, Rejane Ferreira, o diálogo com os moradores é essencial. “Trabalhamos junto à comunidade desde antes da criação do parque. Orientamos sobre o uso responsável dos recursos naturais e a prevenção de incêndios, sempre com o mesmo objetivo: preservar o Jalapão para as atuais e futuras gerações”, concluiu.
Ao completar 25 anos, o Parque Estadual do Jalapão reafirma seu papel como símbolo do Tocantins, unindo conservação ambiental, valorização cultural e desenvolvimento sustentável no coração do Cerrado.













