A tradicional Festa do Cupu 2026, um dos eventos mais aguardados de Esperantina, no norte do Tocantins, teve o cancelamento confirmado após decisão judicial motivada por ação do Ministério Público do Tocantins (MPTO). A prefeita Tota ainda tentou reverter a suspensão dos contratos por meio de um pedido de reconsideração, mas o recurso não foi aceito a tempo da realização do evento.
A programação aconteceria entre os dias 15 e 17 de maio e contaria com atrações de grande público, como Amado Batista, Marcynho Sensação e Pedro Vinícius. A expectativa era de forte movimentação econômica no município, com aumento no fluxo de turistas, aquecimento do comércio e geração de renda para trabalhadores informais.
O cancelamento provocou forte repercussão na cidade e dividiu opiniões entre os moradores. Enquanto parte da população defende a atuação do Ministério Público na fiscalização dos gastos públicos, outro grupo lamenta a perda de um evento considerado patrimônio cultural do município e importante fonte de renda para centenas de famílias.
A ação do MPTO questiona contratos que somam aproximadamente R$ 1 milhão para apresentações artísticas, incluindo um cachê de cerca de R$ 550 mil para o cantor Amado Batista. Segundo o órgão, as contratações ocorreram em meio a um decreto de situação de emergência causado pelas fortes chuvas que atingiram o município recentemente.
O Ministério Público também aponta possíveis irregularidades relacionadas ao uso do decreto emergencial, além da ausência de publicação de contratos em portais oficiais e indícios de falta de transparência nos processos de contratação. Outro ponto destacado pelo MPTO é o cenário financeiro delicado enfrentado pelo município, que possui histórico recente de dívidas milionárias e atrasos salariais.
Diante das suspeitas, a Justiça determinou a suspensão dos contratos e dos pagamentos relacionados aos shows da Festa do Cupu, incluindo eventual devolução de valores pagos antecipadamente.
Em nota oficial, a Prefeitura de Esperantina informou que decidiu acatar a decisão judicial diante da proximidade do evento e da impossibilidade logística de manter a programação sem as principais atrações. A gestão municipal afirmou ter apresentado documentação comprovando a legalidade dos processos licitatórios, mas lamentou o que classificou como “interesses políticos acima dos interesses da população”.
A administração destacou ainda os impactos econômicos do cancelamento para comerciantes, ambulantes, donos de bares, restaurantes, salões de beleza, vendedores autônomos e pequenos empreendedores que aguardavam o evento para aumentar a renda.
“A Festa do Cupu é um patrimônio cultural de Esperantina. É um evento que movimenta a economia, gera emprego temporário, fortalece o comércio e leva o nome do município para toda a região”, destacou a prefeitura na nota divulgada nas redes sociais.
Mesmo com o cancelamento, a gestão afirmou que continuará trabalhando pelo desenvolvimento do município e reforçou o compromisso com a legalidade e o respeito às decisões judiciais.













