O acesso a consultas, exames e tratamentos especializados começa a ganhar um novo caminho no Brasil, literalmente. O Ministério da Saúde iniciou a distribuição de 3,3 mil veículos destinados ao transporte de pacientes do SUS que precisam percorrer longas distâncias em busca de atendimento. A medida promete aliviar um dos principais gargalos da saúde pública: a dificuldade de deslocamento.
A ação faz parte do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde e prevê a entrega de vans, micro-ônibus e ambulâncias para estados e municípios de todo o país. Os veículos serão utilizados em trajetos superiores a 50 quilômetros, especialmente para pacientes que dependem de tratamentos contínuos, como radioterapia e hemodiálise.
Com investimento de R$ 1,4 bilhão, dentro do Novo PAC, a iniciativa marca a primeira vez que o Ministério da Saúde assume diretamente a compra e distribuição desse tipo de transporte sanitário. A proposta é reduzir desigualdades regionais e garantir que a distância deixe de ser um obstáculo ao atendimento.
Do total de veículos adquiridos, 1.824 serão destinados às prefeituras para usos diversos na rede de saúde. Outros 1.476 terão foco específico no transporte de pacientes em tratamento contra o câncer e doenças renais. No Tocantins, por exemplo, a previsão é de recebimento de 97 unidades.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a mudança vai impactar diretamente a rotina de milhares de brasileiros. Atualmente, pacientes oncológicos do SUS percorrem, em média, mais de 140 quilômetros para realizar tratamento. A nova estrutura busca oferecer mais conforto, segurança e dignidade nesses deslocamentos, muitas vezes longos e desgastantes.
A logística de uso dos veículos será definida pelos próprios estados, que irão organizar rotas e fluxos conforme a realidade de cada região. Os critérios de distribuição consideram fatores como a incidência de câncer, a dependência do SUS e a distância até unidades de média e alta complexidade.
Além do transporte, o programa também investe na ampliação da capacidade de atendimento, especialmente na área de radioterapia. O governo pretende otimizar o uso dos aceleradores lineares já existentes, oferecendo incentivos financeiros que podem aumentar em até 30% a produtividade das unidades. Atualmente, muitos desses equipamentos operam abaixo da capacidade.
Nos últimos anos, mais de 100 novos aceleradores foram adquiridos, sendo cerca de 40 já entregues desde 2023. A meta é acelerar o início dos tratamentos e descentralizar o atendimento oncológico, aproximando os serviços da população.
O programa também inclui mutirões de saúde, ampliação de exames, cirurgias e consultas, além do uso de unidades móveis e parcerias com hospitais privados. Em 2025, o SUS registrou números históricos: 14,9 milhões de cirurgias, 1,3 milhão de exames e 14 milhões de internações — um avanço significativo em relação aos anos anteriores.
Com essa nova etapa, o governo aposta na mobilidade como peça-chave para transformar o acesso à saúde no país, levando atendimento a quem mais precisa, onde quer que esteja.













