A pré-candidatura do prefeito de Axixá do Tocantins, Auri Wulange Ribeiro Jorge (UB), pode estar seriamente comprometida após uma decisão definitiva do Tribunal de Contas da União (TCU). Em sessão realizada em 2 de dezembro, a 2ª Câmara da Corte rejeitou o recurso apresentado pelo gestor e confirmou a condenação relacionada a irregularidades em um convênio firmado com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
O julgamento está registrado no Acórdão nº 6832/2025, que considerou irregulares as contas referentes ao Termo de Compromisso nº 247/2007, firmado para a implantação de um sistema de abastecimento de água em Axixá. O projeto envolveu mais de R$ 1,1 milhão em recursos federais, cuja prestação de contas, segundo o TCU, foi omitida pelo prefeito. Com a decisão, Auri é obrigado a devolver R$ 918.568,48 aos cofres públicos e pagar multa de R$ 218 mil — valores agora considerados definitivos, sem possibilidade de novos recursos dentro do próprio Tribunal.
Argumento de prescrição é rejeitado
No pedido de revisão, o prefeito sustentou que o processo estaria prescrito e questionou a quantidade de atos que teriam interrompido o prazo prescricional. No entanto, a área técnica e o Ministério Público de Contas foram unânimes ao afirmar que não havia prescrição, uma vez que a investigação teve continuidade e registrou atos formais válidos para interromper o prazo.
O relator, ministro Jorge Oliveira, reforçou que todo o procedimento seguiu as regras da Resolução TCU nº 344/2022, que trata da contagem e interrupção dos prazos prescricionais. Seu voto foi acompanhado por todos os ministros da 2ª Câmara.
Risco de inelegibilidade em 2026
A decisão do TCU acende um alerta imediato sobre a situação eleitoral de Auri Wulange, que já havia anunciado intenção de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026. A condenação por irregularidades em prestação de contas, proferida por órgão colegiado, enquadra o prefeito nas regras da Lei da Ficha Limpa, que estabelece inelegibilidade por oito anos.
Embora ainda possa buscar uma reversão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a decisão mais recente coloca sua pré-candidatura sob forte questionamento. A eventual inelegibilidade de Auri deve mexer no tabuleiro político da região, onde ele vinha construindo alianças e se movimentando para fortalecer seu nome.
Silêncio após a decisão
Até o momento, Auri Wulange não divulgou posicionamento oficial sobre a manutenção da condenação. O prefeito administrou Axixá entre 2013 e 2016 e retornou ao cargo em 2021, mantendo forte presença na política local. Agora, enfrenta um dos episódios mais delicados de sua trajetória pública, com repercussões que devem se estender até o período eleitoral de 2026.
https://pesquisa.apps.tcu.gov.br/redireciona/acordao-completo/ACORDAO-COMPLETO-2692611













