O leilão de bens móveis promovido pela Prefeitura de Itaguatins, realizado nesta segunda-feira (15), passou a gerar forte repercussão política no município após a confirmação de que veículos e equipamentos foram retirados do pátio municipal poucas horas depois da conclusão do certame. A alienação ocorreu conforme o Aviso de Leilão nº 01/2025, publicado pela administração municipal.
Apesar de o procedimento ter sido concluído, vereadores e lideranças locais apontam falhas no processo, principalmente pela inexistência de discussão prévia com a sociedade e pela ausência de autorização formal da Câmara Municipal. Segundo parlamentares, o Legislativo não deliberou sobre o leilão, o que limita o controle institucional sobre a venda de patrimônio público.
Entre os itens leiloados estavam veículos e equipamentos considerados relativamente novos, incluindo unidades fabricadas em 2020. Para críticos do processo, a venda desses bens levanta dúvidas sobre a real necessidade da alienação, especialmente diante da possibilidade de recuperação e reaproveitamento em setores essenciais do município.
Até o momento, apenas os vereadores Clay Sales e Roberto do Açougue se posicionaram publicamente contra o leilão. Eles defendem que parte do patrimônio poderia continuar atendendo demandas da população, como transporte escolar, serviços de saúde, manutenção de estradas vicinais e apoio ao produtor rural.
Outro aspecto que intensificou os questionamentos é o fato de o município manter contrato superior a R$ 2 milhões com uma empresa sediada em Imperatriz (MA) para serviços de manutenção de veículos e maquinários da frota municipal. Para lideranças políticas locais, a existência desse contrato contrasta com a decisão de leiloar bens que, em tese, poderiam ser recuperados.
Também há cobrança para que a Prefeitura de Itaguatins apresente informações detalhadas sobre o valor total arrecadado com o leilão e esclareça qual será a destinação dos recursos obtidos. A ausência desses dados, segundo críticos, compromete a transparência e dificulta o acompanhamento pela sociedade.
O leilão envolveu 29 itens, entre sucatas, máquinas agrícolas, ônibus escolares, ambulâncias, caminhões, tratores e equipamentos pesados. O certame foi realizado com apoio da empresa Dezan Leilões e teve aviso assinado pelo prefeito Josemberg Vitor Barros Silva, em documento datado de 18 de novembro de 2025.
Diante da repercussão, cresce a expectativa por esclarecimentos oficiais do Executivo municipal, enquanto parlamentares defendem maior transparência e acompanhamento rigoroso dos atos administrativos relacionados à gestão do patrimônio público.













